Dezembro será cinza
quarta-feira, 19 de novembro de 2008 - 21:21
Aviso: esse vai ser um post pra baixo. Se você não quer se contaminar com essa tristeza chata e incômoda, melhor parar por aqui e fechar a janela.

Faltam duas semanas para eu fechar meu primeiro ano de graduação. Ao mesmo tempo em que bate aquela alegria de saber que está acabando, bate também o desespero, pois há trabalhos e provas finais.
Eu fiz um layout de Natal que eu realmente gostei, um dos poucos trabalhos que faço no Photoshop que me dão orgulho de dizer "eu que fiz", mas não estou com ânimo de arrumá-lo e colocá-lo no blog.
Bom, briguei com meu pai há dez dias. Não foi uma briga à toa, foi muito séria. Mais uma briga muito séria. E se você pensa que isso me deixa triste, engana-se. Eu odeio meu pai, odeio! Sei que isso pode chocar, mas é verdade. E se mais uma vez você pensa que eu falo isso por estar com raiva dele, engana-se novamente, porque estou serena e consciente do que estou falando.
Eu tenho ódio dele por ele ser tão pretensioso, tão medíocre, tão hipócrita e espírito de porco. A cada dia que passa, ele incomoda mais: mostra sinais de perda de memória recente, mas não assume isso nem procura um médico; tem problemas de colesterol e pressão alta e está gordo, mas não muda seus hábitos alimentares; acha que sabe de tudo, de tarefas domésticas a jornalismo e tecnologia, mas não sabe nem 1% do que acha que sabe. Acha que acabou? Quem dera... meu pai é racista e não admite, ele não aceita opiniões que divirjam da dele, faz aos outros o que não gosta que façam com ele. Ele é aposentado, mas "não tem tempo" para nada. Acho que ninguém acreditaria se eu contasse que ele demorou mais de um ano para trocar um cartucho recarregdao que veio errado... sim, UM ANO, é verdade! Pior ainda: você acha normal uma pessoa guardar jornais do ano passado porque ainda não leu? Estou falando sério! Meu pai guarda jornais completos de muitos anos atrás, tipo 2001. E não é um ou outro, são jornais de todos os dias da semana, de todos os dias do mês. Não acredita? Bem, esta é uma foto de um exemplar que ficou empilhado na sala de estar por um bom tempo... eu o fotografei em 17 de janeiro deste ano. Eu tenho tantas outras fotos, mas fico até envergonhada de mostrar, porque é uma vergonha ter uma casa tão feia e desarrumada.
Dezembro será cinza porque eu não terei um Natal. De novo. Há pelo menos 5 anos eu não sei o que é Natal em família. Nada de se reunir à mesa, nada de rezar, nada de trocar presentes, nada. Natal é um dia que passa em branco pra mim. E cadê sua mãe nessa história toda? Bem, minha mãe e eu nos damos bem e fazemos um Natal à nossa maneira, e confesso que é ela que me salva de cair em desgosto; se não fosse por ela, já estaria em depressão e querendo arrancar a minha vida de mim.
Esse ano, então, eu não ficarei em casa, como eu queria. Agora que meu avô faleceu, minha mãe quer passar o Natal com a minha avó, para ela não ficar sozinha, e com a ilustre briga de dez dias atrás, eu terei que sair do Planalto Central e me enfiar numa cidade quente e suja como o Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa bandida. Não quero ofender quem mora lá, eu nasci lá, mas não gosto, não é um lugar aprazível. Além do mais, queria ficar em Brasília, para arrumar minhas coisas, doar meu material de cursinho, livros do ensino fundamental, roupas, brinquedos; queria ficar aqui para organizar meu quarto, meu armário, meus livros.
Não vou poder fazer nada disso, tudo porque o Miss Frescura se recusou a ficar comigo em casa. E por que eu não fico sozinha? Eles acham que é perigoso (e ir passar quase um mês no subúrbio do Rio é superseguro! ¬¬)...
Enfim, é o preço que se paga quando não se engole desaforo, quando se paga na mesma moeda, quando se dá a cara a tapa - literalmente. Faz 10 dias que eu não dirijo a palavra a ele, e não me faz falta. Queria mesmo é que ele fosse embora de uma vez, e me deixasse em paz.

Desculpem-me pelo post tão baixo astral e tão carregado... tentei evitar esse post a todo custo, mas precisei colocar isso pra fora para eu poder libertar a minha mente. Desculpem-me também pela falta de atualizações, mas, como eu havia dito, novembro é um mês muito pesado na Unb, estou me esgotando sobre os livros.
Não pensem que estou fraca com tudo isso; ao contrário, estou muito mais forte e convicta de quem eu sou, e eu não vou deixar um aposentado inútil me derrubar.

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Postado por Tati ..............